Era dos extremos

Empresto o título do clássico do historiador inglês Eric Hobsbawm para refletir sobre o cenário com a nova composição do Congresso Nacional que tomará posse no próximo dia 1o. de fevereiro.

A era de extremos que vivemos na sociedade e alguns tentam estabelecer como pauta prioritária do próximo quadriênio é quase que um retorno ao debate que moveu o mundo no período analisado por Hobsbawm, os anos entre a eclosão da Primeira Guerra Mundial, 1914, e a derrocada da União Soviética, 1991.

Do ponto de vista político e ideológico o Brasil está vivendo a sua Guerra Fria.

Extremistas de direita e de esquerda confrontam-se sobre economia, política e costumes, num debate absolutamente irracional e improdutivo para o país.

A era de extremos carimba a todos conforme os seus tortos conceitos.

Eu que sou um moderado virei comunista pra uns por ser contra a liberação sem critérios do porte de armas e reacionário pra outros por discordar do aborto como método contraceptivo e de que se ensine ideologia de gênero para crianças do ensino fundamental.

Na verdade, existe uma pauta civilizatória que deve ser o centro do debate político na sociedade e no parlamento.

À luta pelo direito ao trabalho, à comida, a liberdade, a democracia, não pertencem à direita e nem a esquerda, são valores que unificam a sociedade e todas as pessoas que querem o bem do país e do nosso povo.

A pauta central do próximo parlamento nacional não pode ser sequestrada pelos extremistas, como tem sido feito nas redes sociais e em parte significativa da imprensa que tem negado voz a moderação.

Para a média da sociedade, em especial, os mais de 50 milhões de brasileiros inativos, desempregados ou trabalhando na informalidade, mais importa o porte de carteira de trabalho assinada e de comida, que o porte de armas. Para uma sociedade que clama por uma revolução na educação que prepare nossos jovens para os desafios do mundo moderno, mais importa a escola com professor bem remunerado e conectada com o mercado de trabalho que a escola sem partido.

Portanto, os desafios que temos que enfrentar para mudar o país são econômicos, políticos e sociais.

O centro da pauta do próximo Congresso Nacional devem ser as reformas estruturantes necessárias para o país voltar a crescer: Reforma da Previdência que combata todas as distorções e, principalmente, os privilégios; Reforma Tributária, que reduza a carga sobre o consumo e sobre a folha de pagamento e promova uma maior equilíbrio no nosso Pacto Federativo; Reforma Política que crie mecanismos rígidos de controle social dos agentes públicos e resgate a confiança do povo nos seus representantes.

Nessa era de extremos precisamos ter moderação para dar centralidade a pauta que importa ao país.

Marcelo Ramos, advogado, professor, escritor e deputado federal eleito pelo AM.

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